Módulo 4 - Dados pessoais e sigilo: o que nunca colar numa IA
🔍 Simulação: posso colar isso?
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Casos fictícios, criados para a aula.
Cinco situações do dia a dia, com três caminhos cada. Escolha o que você faria e veja o que acontece em cada caminho. Em todos os casos, o órgão ainda não tem uma política própria de uso de IA, e a ferramenta é aberta ao público. Use a pergunta do cartaz na rua e as técnicas da Aula 4.4.
Caso 1 · O edital publicado
O edital de um processo seletivo de estagiários foi publicado ontem no Diário Oficial e no site da prefeitura. Marta, do atendimento, quer usar uma ferramenta de IA para montar uma lista de perguntas frequentes para o site.
- A) Colar o texto do edital publicado, pedir as perguntas frequentes e conferir cada resposta com o edital antes de publicar.
- B) Desistir da IA, porque todo documento do órgão é sigiloso.
- C) Colar o edital junto com a planilha de inscritos, para a IA usar dúvidas reais como exemplo.
O que acontece: A é a melhor escolha: o edital já é público, e a conferência garante que nenhuma data ou exigência mudou no caminho. B perde uma boa ajuda por excesso de cautela, porque informação já publicada pode ir para a IA. C expõe nomes e contatos dos inscritos sem nenhuma necessidade.
Caso 2 · A escala com atestados
Paulo coordena uma unidade de saúde e precisa reorganizar a escala do mês. Ele tem uma planilha com o nome de cada servidor, os dias de afastamento e o código da doença de cada atestado. Quer pedir ajuda a uma ferramenta de IA.
- A) Colar a planilha inteira, porque o código da doença é só um número, e não o nome da doença.
- B) Trocar os nomes pelas iniciais e colar o resto da planilha.
- C) Pedir só um modelo de escala, com [SERVIDOR 1], [SERVIDOR 2] e os dias de ausência, sem o motivo, e preencher os nomes fora da ferramenta.
O que acontece: A expõe dados de saúde, que são dados pessoais sensíveis, mesmo em forma de código. B continua arriscada, porque iniciais identificam as pessoas numa equipe pequena, e os códigos de doença continuam lá. C usa marcadores, corta o que a tarefa não exige e é a melhor escolha.
Caso 3 · A minuta da licitação
Renata, do setor de compras, está escrevendo o termo de referência de uma licitação, o documento que descreve o que o órgão vai comprar. A minuta ainda não foi publicada e traz o preço estimado e as empresas consultadas na pesquisa de preços. Ela quer que a IA melhore a clareza do texto.
- A) Colar a minuta inteira numa conta pessoal, já que não há nenhum dado pessoal no texto.
- B) Pedir à IA um roteiro geral para revisar a clareza de um termo de referência, revisar o texto ela mesma e consultar a chefia antes de usar a IA no documento.
- C) Colar só a parte do preço estimado, que é a mais difícil de escrever.
O que acontece: A esquece que informação interna também é protegida: dados de uma licitação antes da publicação não vão para ferramenta aberta, e a conta pessoal deixa o órgão sem controle nenhum. B aproveita a IA sem expor a minuta, segue a regra prudente de só usar informação pública em ferramenta aberta e é a melhor escolha. C envia justamente a parte mais delicada do documento.
Caso 4 · "Pode usar meus dados"
Na ouvidoria, Lúcia recebe uma reclamação sobre o atendimento num posto de saúde. A manifestação traz o nome, o CPF e o telefone do cidadão, além do nome de um vizinho que também foi mal atendido e do problema de saúde dele. No fim, o cidadão escreve: "pode usar meus dados onde quiser". Lúcia quer um rascunho de resposta feito com IA.
- A) Resumir a situação sem nomes, documentos nem dados de saúde, usar [NOME] e conferir o rascunho antes de enviar.
- B) Colar a manifestação inteira, porque o cidadão autorizou por escrito.
- C) Tirar só os dados do vizinho e colar o resto, com o nome, o CPF e o telefone do cidadão.
O que acontece: A é a melhor escolha: a IA entende a situação sem saber quem é quem, e a resposta final continua com Lúcia. B confunde as coisas, porque, no setor público, o consentimento não é a regra, e a frase do cidadão não cobre os dados do vizinho. C melhora, mas ainda envia dados que a tarefa não exige, e a autorização genérica não muda a regra.
Caso 5 · O print da tela
O sistema de protocolo mostra uma mensagem de erro sempre que Carlos tenta juntar um documento a um processo. Ele tira um print da tela, que também mostra a lista de processos do dia, com o nome dos interessados, e pensa em mandar a imagem para uma ferramenta de IA.
- A) Mandar o print como está, porque a IA só vai olhar a mensagem de erro.
- B) Digitar só o texto da mensagem de erro, sem nomes, números de processo, endereço do sistema ou senha, e, se não resolver, abrir um chamado na equipe de TI.
- C) Mandar o print e pedir, no texto, que a IA ignore os nomes.
O que acontece: A envia tudo o que aparece na tela, inclusive os nomes dos interessados. B é a melhor escolha: a mensagem de erro basta para a IA sugerir caminhos, e a equipe de TI conhece o sistema. C não resolve, porque a imagem com os nomes já foi enviada, e pedir para ignorar não apaga nada.